quinta-feira, 2 de junho de 2016

Reencarnei

Reencarnei
às sete e meia da manhã,
cansada e mal vestida,
faminta e abatida
Caminhei
daqui até a cozinha
uma caixa de diazepínico
um mal-estar clínico
Traguei
meio maço de cigarro vencido
meio copo de uísque envelhecido
meia dose de pensamento sufocado
Ponderei
um coração mal cuidado
uma vida em desamparo
um corpo em despreparo
E deixei
de segurar o grito
desde suportar o atrito
a afogar o espírito
Voltei
de maquiagem borrada
de cabelo despenteado
para o leito desarrumado
Desencarnei

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