Eu me lembro, irmão,
Naquela tarde em Dublin,
Quando caído no chão eu vi e,
Claro como nunca, reconheci que ali
Tudo onde a vista alcançava era
Aquilo pelo que a gente lutava;
Eu me lembro, irmão,
Daquela noite fria e silenciosa;
Da fome e da dor e da solidão.
Lembro que, da falta de palavras,
Veio a súbita realização; verdade desvelada:
Que entre nossos pares, tudo se resumia
À exploração, à subjugação,
Aos trapos e aos farrapos,
À miséria e à temperança.
E foi dessa epifania, profunda e irresoluta
Que inflamou-se a chama de nossa esperança
Reconhecemo-nos, enfim, como irmãos de luta.
Famélicos e sem-terra,
Pobres e apátridas:
Cabeças erguidas e punhos cerrados!
Eu me lembro, irmão,
Dos seus olhos como reluziam!
Me lembro, irmão, dos projéteis que zuniam,
Das mulheres e homens que combatiam.
Eu vi, irmão, quando tomaram as praças,
Quando prenderam nossos camaradas;
Vi quando tombaram as barricadas
E vi quando levaram nossos rapazes.
Eu estava lá quando Connolly foi fuzilado,
Quando MacBride foi baleado,
Quando MacDonagh foi sepultado,
Quando Pearse foi enterrado,
Quando Casement foi enforcado.
Eu me lembro, caído na praça de Dublin,
Sobre uma poça de sangue,
De ouvir você, ainda com as armas em mãos, irmão,
Antes do mundo escurecer, gritando;
Antes do sol se apagar, bradando:
A nossa hora há de chegar!
**Em homenagem a James Connoly, aos camaradas que tombaram na Revolta da Páscoa de 1916, na Irlanda, e ao I.R.A. (Exército Republicano Irlandês). Tiocfaidh ár lá!
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