Brisa que corta no frio que golpeia
o peito apertado, ansioso, ainda arredio
só em meio ao vazio que cerceia esse coração vadio
Rarefeito o ar, respiro, resisto,
na sua ausência a invernia é mais que intranquila
alumia sua falta, ansiedade que mutila
Um café, um cigarro e morosidade
tempestade enternecida - saudade ou coisa assim
que no fim é a falta de seu olhar: arredio e sem fim
No tempo congelado, de soslaio o amanhecer
que surge sem anunciar: teu olhar despreocupado
que sem saber tome esse meu coração arrebatado
Assim, com seu sorriso tímido, suas poucas palavras
e, de novo, seu olhar arredio; Assim, sem querer,
que esse coração eu divorcio desse frio que é não te ter.
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
terça-feira, 22 de setembro de 2020
Só pra você saber como é I
Eu vou tentar explicar de um jeito que você talvez entenda.
O lance é: imagina que tu pega um comprimido de ritalina. Aliás, a cartela inteira, aí cê toma tudo num gole só de café. Aliás, não, você faz aquele esquema que eu sempre falo: engole metade dos comprimidos, o resto cê macera e cheira.
Aliás, é isso!:
Imagina uma cocaína. Mas uma que não existe, com uma taxa de pureza tão alta que nem o pó recém saído da refinaria consegue alcançar. Um negócio tão fino que faria Pablo Escobar ficar baqueado, saca?
Daí cê subtrai dessa equação a parte da coriza e dos sangramentos espontâneos. Tira a parte que cê fica revirando na cama quase cuspindo o coração sozinho no quarto -- aliás, deixa essa última parte. A vontade de fumar cê aumenta.
Imagina um bem estar tão pesado e expansivo que ele precisa rasgar tua pele pra ocupar espaço na materialidade do mundo. Imagina um bem estar que seja tão absoluto que não há indústria farmacêutica que consiga sintetizar: não há benzodiazepínico, opióide ou o caralho que for que te entregue essa plenitude.
Mas é um bem estar que rasga a pele, contrai os músculos até a beira da cãibra e que faz o coração ser vomitado. Esmaga o peito, machuca as costas, desfigura o semblante.
Um bem estar tão consumista que precisa engolir o mundo todo de uma vez; imagina um incêndio florestal, mas que pega todo o continente asiático e meia África. Imagina Gobi e o Saara como dois grandes espelhos de areia fundida.
Imagina um grito que não sai de ti e que transita entre o peito e a garganta, e que é tão absurdo que não pode ser dado pois não há aparato vocal no mundo capaz de realizá-lo. Um grito que, represado detrás de maxilares travados, faz embotar os olhos em lágrimas que são desespero e desespero.
É o mar quebrando nas falésias
É o cânion, vertiginoso, tragando os céus
É um furacão que força o paraíso à terra
Imagina agora um nada, ocupando espaço; um nada que cresce e se expande.
Saca o absurdo?
É tipo um trem batendo num muro.
O muro é você, o trem é essa coisa
Deu pra pegar?
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Névoa
Há uma névoa no horizonte, densa, até onde alcança o olhar:
Eu estico os meus braços e não vejo minhas mãos -
e, pra ser bem sincero, eu não sinto também a ponta dos meus dedos.
Os pés caminham, mas não parecem sair do lugar.
É difícil. Os abraços se perderam no passado;
os beijos e as mãos dadas ficaram na memória;
as risadas e as conversas e a música dos bares e botecos
são só ecos que reverberam no vazio da neblina.
A luz, diáfana, denuncia que há sol, ainda, algures.
O chão, duro, é o último lastro de materialidade que me resta;
de resto, só há névoa, memória e esse eco quase inaudível
e esse frio típico de uma manhã cinza de maio.
Sou como uma esponja imersa em soro fisiológico;
insípido, estéril, mudo e surdo -
eu ainda respiro? Eu ainda existo?
Ainda estamos em maio?
Há um calendário na parede marcando um distante 30 de março.
Há poeira sobre os livros, há plantas florescendo no quintal,
há semanas que não vejo meus amores e há momentos que penso,
inebriado pela névoa, que não tornarei a vê-los.
Ainda é tarde? Já é cedo?
Não sei que horas são e não me importo.
Sei que nos hospitais e nos cemitérios o tempo ainda passa,
mas aqui em cima, no quarenta-e-dois, ele parou.
(as flores que desabrocham como se o mundo ainda fosse o mesmo
me respondem: "sim, ainda estamos em maio";
"sim, ainda há beleza que valha a pena de se viver" e me lembram
que os botões só se desprendem para florescer ainda belos no ano seguinte)
Aliás, as flores que desabrocham e ainda crescem em maio
em meio a tão enfastiante neblina são minha recordação diária
de que o tempo ainda se move, discretamente,
sorrateiro, silencioso - aparentemente inofensivo.
E eu olho para as paredes, para as nuvens e para o sol -
cada dia um novo sol, nunca o mesmo - e eu acho bom
que depois dessa neblina (que mais se parece com a fumaça preta
exalada dos escapamentos enferrujados dos caminhões da Dutra) --
-- que depois dessa neblina haja mesmo muito sol, e que os abraços
sejam intermináveis - Ah!, eu espero morrer sufocado dentro dos
seus braços! - e que as músicas não cessem nunca mais
e que o tempo corra, como nunca, para longe dos funerais e dos leitos de UTI;
Que depois dessa neblina não haja mais frio,
que não haja mais pressa!, que não haja mais pressa e nem muita paciência!
Que nunca mais nos sintamos sós e cegos como hoje
e que nunca mais nos esqueçamos dos tempos em que o tempo nos abandonou
e nos deixou como hoje: nus, pobres e desamparados (como sempre estivemos):
Maldito o tempo em que o tempo se tornou nosso espelho.
Abençoado aqueles dentre nós que arremessaram,
como Davi contra Golias, com a força de suas fundas o coração,
feito pedra, contra o espelho do nosso tempo.
Abençoados os vândalos, delinquentes e desviantes
que como enviados profanos de um deus que não conhecemos
fizeram-se mártires e nos libertaram; Abençoados os que desafiam Golias,
os que desafiam Cronos, os que desafiam a vida e que fatalmente
triunfam sobre a morte.
Eu estico os meus braços e não vejo minhas mãos -
e, pra ser bem sincero, eu não sinto também a ponta dos meus dedos.
Os pés caminham, mas não parecem sair do lugar.
É difícil. Os abraços se perderam no passado;
os beijos e as mãos dadas ficaram na memória;
as risadas e as conversas e a música dos bares e botecos
são só ecos que reverberam no vazio da neblina.
A luz, diáfana, denuncia que há sol, ainda, algures.
O chão, duro, é o último lastro de materialidade que me resta;
de resto, só há névoa, memória e esse eco quase inaudível
e esse frio típico de uma manhã cinza de maio.
Sou como uma esponja imersa em soro fisiológico;
insípido, estéril, mudo e surdo -
eu ainda respiro? Eu ainda existo?
Ainda estamos em maio?
Há um calendário na parede marcando um distante 30 de março.
Há poeira sobre os livros, há plantas florescendo no quintal,
há semanas que não vejo meus amores e há momentos que penso,
inebriado pela névoa, que não tornarei a vê-los.
Ainda é tarde? Já é cedo?
Não sei que horas são e não me importo.
Sei que nos hospitais e nos cemitérios o tempo ainda passa,
mas aqui em cima, no quarenta-e-dois, ele parou.
(as flores que desabrocham como se o mundo ainda fosse o mesmo
me respondem: "sim, ainda estamos em maio";
"sim, ainda há beleza que valha a pena de se viver" e me lembram
que os botões só se desprendem para florescer ainda belos no ano seguinte)
Aliás, as flores que desabrocham e ainda crescem em maio
em meio a tão enfastiante neblina são minha recordação diária
de que o tempo ainda se move, discretamente,
sorrateiro, silencioso - aparentemente inofensivo.
E eu olho para as paredes, para as nuvens e para o sol -
cada dia um novo sol, nunca o mesmo - e eu acho bom
que depois dessa neblina (que mais se parece com a fumaça preta
exalada dos escapamentos enferrujados dos caminhões da Dutra) --
-- que depois dessa neblina haja mesmo muito sol, e que os abraços
sejam intermináveis - Ah!, eu espero morrer sufocado dentro dos
seus braços! - e que as músicas não cessem nunca mais
e que o tempo corra, como nunca, para longe dos funerais e dos leitos de UTI;
Que depois dessa neblina não haja mais frio,
que não haja mais pressa!, que não haja mais pressa e nem muita paciência!
Que nunca mais nos sintamos sós e cegos como hoje
e que nunca mais nos esqueçamos dos tempos em que o tempo nos abandonou
e nos deixou como hoje: nus, pobres e desamparados (como sempre estivemos):
Maldito o tempo em que o tempo se tornou nosso espelho.
Abençoado aqueles dentre nós que arremessaram,
como Davi contra Golias, com a força de suas fundas o coração,
feito pedra, contra o espelho do nosso tempo.
Abençoados os vândalos, delinquentes e desviantes
que como enviados profanos de um deus que não conhecemos
fizeram-se mártires e nos libertaram; Abençoados os que desafiam Golias,
os que desafiam Cronos, os que desafiam a vida e que fatalmente
triunfam sobre a morte.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
O diabo que comeu o sol
A gente nem sempre sabe que as coisas tão começando
até que a gente se pegue tão a frente na estrada a ponto de
olhar pra trás e ver marcado no chão e na terra os passos
traçado em linha reta e certa até o presente,
e só então se apercebe do movimento confuso
dos nossos passos rumo ao incerto ao sacro ofício ou
rumo ao calvário --
-- os dias se perdem de vista,
pra frente ou pra trás não tem mais sol nem lua
nem relógio nem calendário - aboliram a primavera
naquele março e nas semanas seguintes esse diabo
insaciável que se chama capital pediu seus sacrifícios,
e assim se fizeram as ofertas:
ofertaram os astros e com eles
ofertou-se cronos, e foi tudo engolido; então
lhe foi ofertado os velhos e os enfermos e os pobres,
e o bicho riu e os devorou também; então um a um
os homens e mulheres e crianças com os pés descalços
e as mãos feridas e as costas cansadas como numa
brincadeira de roda de mãos dadas foram atirados
nos cânions de sua garganta --
-- titã amaldiçoado, diabo
maldito e deus dos vermes, devorou os homens
um a um e devorou suas lembranças e saboreou
a vida que dele mesmo não emana mas da qual se
alimenta, e assim ficou satisfeito --
-- mas de tanta vida devorada
assim, com pressa e apatia, doeu-lhe dentro do bucho
a história e a lembrança de gente tanta que digeria:
ao diabo cuja existência é vazia estranha ter dentro
de si gente que um dia ria, chorava e vivia --
-- e diz-se que dentro do
diabo malfadado de algum jeito aquela gente
se levantou e com golpe de pexera o bucho do
deus-bode se abrira: era gente viva que dali de
dentro saia e sorria, cuja história o coisa-ruim
jamais possuiria:
contando conto assim
parece tudo de mentira, mas vê bem que todo diabo
se alimenta de sal de lágrima e de suor, mas não tem
bicho de chifre, criado pelo homem ruim que suga
a vida do outro homem, que consiga engolir e digerir
a história da gente que vive, que reza e que trabalha
de sol a sol sem se cansar:
essa é a história de um povo todo
sem nome e sofrido que todo dia lamenta mais um
filho perdido mas que toda manhã se põe de pé pra
trabalhar pois sabe que um dia esses astro todo que o
diabo comeu um dia ainda volta a brilhar.
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Memento
Eu era jovem quando a conheci.
As roupas eram atípicas, mas eu não notei. Não notei o odor agridoce de seu perfume, nem o toque delicado de seus dedos e nem pude me aperceber do que trazia consigo. Ela partiu como veio: delicada e sutilmente, como o vento que – imagino – atravessa o campo de centeio.
Eu era ainda jovem quando ela visitou da segunda vez. Dessa vez, trouxe aspereza. Um incômodo ainda incompreensível. Me lembro de seus passos leves adentrando pela porta da frente do hospital. E ela partiu como veio: muda.
Eu já não era jovem quando ela veio pela terceira vez. Na verdade, pensando bem, desde aquele dia no hospital percebo que ela estava, de alguma maneira, sempre presente. Aquela voz muda, aquele toque áspero que me acariciava através do vento e o arrastar lento de suas vestes longas e lúgubres... Sempre presente desde então. Na terceira vez, entrou sem cerimônia e sem delicadeza. Chegou pela porta da sala, derrubou a mesa de centro e as flores de plásticos horrendas que a enfeitavam. Abriu os braços e disse “agora estarei para sempre presente, esta é minha face e dela jamais esquecerás”. E assim se fez, e eu nunca esqueci.
Via seu rosto pela manhã, ao acordar, o via nas noites mal-dormidas e o via no espelho. Na solidão eram seus dedos gélidos e sua pele – ora áspera, ora sedosa – que seguravam minhas mãos. Acostumei-me. Era presença não dita e corriqueira; não anunciada, imanente e sempre presente.
Na quarta vez, pela primeira vez, a visita era para mim. Olhou-me nos olhos no silêncio sepulcral das noites sujas e moribundas da cidade e me sorriu – ela sempre sorria. E numa fração de segundos, tudo aconteceu.
Na quarta vez, pela primeira vez, a visita era para mim. Olhou-me nos olhos no silêncio sepulcral das noites sujas e moribundas da cidade e me sorriu – ela sempre sorria. E numa fração de segundos, tudo aconteceu.
***
Nada aconteceu. Abriu os braços, envolveu-me mais uma vez em seu manto escuro adornado com as estrelas mais brilhantes e fugiu. Deixou-me alguns segundos breves contemplativo – não atônito. Não houve medo, não houve receio. Não há que se temer o fim ao qual todos caminhamos.
A vida seguiu.
***
Um corpo caiu no chão. O sangue quente corria pelo meio-fio até quase coagular. Os primeiros a chegar foram os vizinhos, depois a perícia. Morri sentindo nada; um vaso vazio. O absurdo, o medo, a angústia, nada disso que se espera me acompanhou. Daquele corpo inerte emanava apenas raiva. Ódio. Não dela; não sei dizer de quê.
Mas um corpo nunca cai sozinho.
Somos todos constelações num oceano cósmicos, replicados no tecido do infinito. Somos um, somos vários, e o somos quase simultaneamente. O corpo que morreu lá fez seu baque surdo contra o concreto ser ouvido cá e em outras n possibilidades cósmicas – mas ali, pela primeira e última vez ela me visitou.
***
Olhei através do espelho sujo e enevoado que me separa de mim mesmo caído numa outra São Paulo, coberto pelo saco metálico que envolve os que chegaram no limite ou que foram limitados.
Naquela madrugada quente eu morri em algum lugar, e ela me permitiu vislumbrar o corpo sendo carregado.
“E agora?”, perguntei, apático.
“E agora?”, ela me respondeu, fria, com o sorriso macabro.
Ponderei por alguns minutos.
“E os sonhos...?”, perguntei.
“Findados.”
“As palavras não ditas...?”
“Assim permanecerão.”
“As cartas...”
“As cartas não endereçadas seguirão não endereçadas. As cartas não escritas seguirão não escritas.”
“Então é assim o fim?”, perguntei melancólico.
“O fim? Não, não o fim. Eu sou a sentença final. Eu sou a permanência do não dito. As palavras que não foram proferidas, a potência não concretizada, a ação não cumprida... Essa sou eu. Eu não termino nada, eu apenas sentencio a inércia ao seu próprio curso. Não o fim, mas a eternidade – infindável.”
“Mas as coisas que fiz e falei...”
“Findadas por suas próprias mãos.”
“E as que estavam em curso...?”
“Abortadas. Consignadas ao vazio. Jamais serão – e, se forem, não mais serão suas.”
O vento morno soprava.
***
Dei por mim, ainda vivo e consciente, no mesmo dia digerindo suas palavras.
Disse-me que morrer não é o encerramento da vida, mas a última sentença à inação: sua própria natureza. Morrer não é deixar de fazer, mas seguir não fazendo; é seguir não sendo.
Morrer não finda a vida; viver não se opõe a seu fim inevitável – a morte. Quem pensa que morrer é não viver se engana, como eu me enganei. Morrer é não mais ser movimento – e tudo que não se move não é. Aqui, tornar-se memória é apenas a forma aparente dessa forma final de inflexibilidade do ser – e, portanto, ser é a única forma de não morrer.
Não se trata de enganar a Morte, ela é imanente.
Não se trata de barganhar com ela, pois ela é insaciável.
Não se trata de transcender.
Trata-se de matar a inércia das coisas que não são e devem ser. De fazer a palavra ser dita, pois é absurdo que não o seja; de fazer a ação se consumar, pois é necessária no mundo.
Trata-se, no fim e ao cabo, de matar a própria Morte.
Naquela noite abafada e quase intragável, matei-a.
Desgraçada como é, por certo que não permanecerá morta por tempo demasiado – mas hoje eu venci a Morte, minha eterna companheira.
Memento.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Não há deus
Não existe deus senão o Capital
Não existe pré-determinação
Senão aquela imposta aos corpos
Pelo Capital
O livre-arbítrio é uma mentira
São nem sete da manhã
Tempo, não há também
Senão o tempo que é também imposto pelo Capital
Os bom-dias arrastados
As quebradas nubladas
Os cafés apressados e os olhos turvos e olhares enevoados
São, também, o Capital
Não ver o filho crescer
Não ver o ano passar
Não ver o sol nascer
Não ver o amor despertar
Não ter o que comer
Não poder estudar
Não ver a vida acontecer
Não ter pernas para andar
Nem ter asas para voar
É, tudo isso, o Capital
Não há o que se querer,
Nossa fé é no capital
Que não mora aqui, no canto da Sapopemba,
Mas alhures, onde o sol é cinza e a gente, civilizada
Não há vida, há o Capital
Boa sorte para quem fica
Pois já passam das sete
De uma segunda-feira sepulcral
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
História
A História do mundo, meu amor, é a nossa história.
Poderia ser a-histórica, atemporal e transcendental - mas não é. É concreta, pois existe; é dialética, pois é de nós dois; e é do mundo, pois é tudo que importa.
Vidas que se entrelaçam, corpos que se tocam, olhares enternecidos, mãos que se aquecem e lábios que nunca se tocaram -
- Alegorias, metáforas e melodias. Somos nós dois atravessando o Cabo e o Bojador, lendo as estrelas, os búzios e o tarô, construindo oráculos, nos perdendo e nos encontrando.
Somos nós nos amando.
Nós caminhando.
Você sorrindo
E eu sonhando.
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