Penso em você pela primeira vez no dia.
Acendo o segundo cigarro.
Coloco três doses de conhaque no copo.
Espreito pela quarta janelinha
Do quinto andar do sexto prédio
Perdido na Sete de Abril.
São oito da noite.
São nove da noite.
São dez da noite.
Checo as portas e janelas,
Onze vezes cada trinco.
Bebo o décimo copo d'água do dia,
Nove passos da cozinha até a sala
Coloco o despertador para os oito
Espio pela janela a rua,
Que é a Sete de Abril,
Penso que amanhã é sexta-feira
Que moro no quinto andar
E estou num quarto vazio
Às três da manhã, revisando
pela segunda vez um poema que deveria ter
Vinte e cinco linhas.
Continuo pensando em você pela primeira vez no dia.
Que conste aqui, ao final,
Uma linha solta dedicada a você - minha obsessão.
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