quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

II - Destinatário

Quando escrevo, sabes que é para ti?
Depois de tanto tempo te escrevendo
- enquanto destinatário anônimo -
Eu ainda preciso te endereçar?

Já não sabes que todo meu labor
- forma manifesta da minha alma -
É todo inspirado pelo torpor que
Me acomete quando invoco teu nome?

É possível que teus olhos amendoados
Que me descortinam as entranhas
Sejam tão malfadados a ponto de
Não enxergarem meus gritos no papel?

Trombetas far-te-iam fazer notar?
Quantos faróis eu deveria alumiar
Para que na noite fria você pudesse
Enfim se aperceber daquilo que o mundo todo já sabe?

Incendiei Alexandria,
Arrasei os templos pagãos no Mediterrâneo,
Roubei as águas da Babilônia,
Apaguei os sóis da Mesoamérica!

Ergui pirâmides e poemas com teu nome
Em entrelinhas e ainda assim não sabes?

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