Depois de tanto tempo te escrevendo
- enquanto destinatário anônimo -
Eu ainda preciso te endereçar?
Já não sabes que todo meu labor
- forma manifesta da minha alma -
É todo inspirado pelo torpor que
Me acomete quando invoco teu nome?
É possível que teus olhos amendoados
Que me descortinam as entranhas
Sejam tão malfadados a ponto de
Não enxergarem meus gritos no papel?
Trombetas far-te-iam fazer notar?
Quantos faróis eu deveria alumiar
Para que na noite fria você pudesse
Enfim se aperceber daquilo que o mundo todo já sabe?
Incendiei Alexandria,
Arrasei os templos pagãos no Mediterrâneo,
Roubei as águas da Babilônia,
Apaguei os sóis da Mesoamérica!
Ergui pirâmides e poemas com teu nome
Em entrelinhas e ainda assim não sabes?
Nenhum comentário:
Postar um comentário