É a sua voz, é o que você fala
E a forma como reverbera na lembrança
E como ecoa na memória.
Sua voz indecente que me faz acordar,
Que não me deixa dormir
E que me coloca para dormir
Ainda maravilhado e assombrado.
Que não espera convite para entrar
Pela porta da sala ou pela porta do quarto
E que não me espera acordar
Para ir embora antes da aurora
- e que não me abandona mesmo ausente.
Ausência! Ah, Ausência!
Assim, egrégora, fantasma, esfinge!
Não te conheço, mas te conheço tão bem!
- me conheces?
Não é só o som doce da sua voz,
O ritmo sereno da sua prosódia
Nem as formas e signos que evoca
- tesouros resgatados do fundo de um oceano que poucos exploraram!
Não é só a calmaria da melodia que evocas,
Ou a tormenta que anuncias;
A forma como alcança o horizonte
E que arremessa longe a esperança
- agridoce.
És Babalon domando a fera,
Prometeu tomando o fogo,
És a foice que solve!,
O golpe que coagula!
Não és divina, pois existe!
Não és profana, pois não o é!
És mais que isso
Pois caminha na terra dos incautos
Com a graça de um anjo submerso
É a forma como articula suas consoantes,
Como enxerga além da bruma,
É a forma como me alcanças,
Como me fere e como me cura...!
Não, não é só pela sua voz,
É só pelo que és
Pela beleza que é te ter
Mesmo sabendo que jamais serás minha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário