Uma ode aos excessos;
Uma sonata aos pecados,
uma lira de vinte mil anos
na luxúria gozados!
Não hás de fumar, tampouco
deveis comer ou beber
em apoucamento -
Não hás de passar em desalento
essa vida que há de findar!
Quando em comemorações,
Não meça suas ações -
O arrependimento posterior,
agridoce, acredite, tem bom sabor
para aquele de espírito largo
e riso amargo!
Gozai das tardes de verão
nesse ímpeto incestuoso,
onde da volúpia e do desejo
o gozo faz como trovão
o tempo passar tempestuoso!
E brada teu grito retumbante
e lança de uma vez sob a mortalha
aquele que em sua estupidez
atrapalha ou achincalha
o afã do bom-vivant!
E derruba de um só golpe
Os que perseguem e vêm a galope
ao encalço dos que seguem
à risca a esta ode
que cheira a ouro mas é de cobre!
Lembrai, lembrai!
Que há entre nós quem vive sem viver,
tudo que é vivo um dia morre!
E se não vives, que diferença faz morrer?
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